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Narrativas Fotografias

Demorantes

AUTOR

Maria de Minas

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A série Demorantes, de Maria de Minas, reúne fotografias realizadas em comunidades amazônicas do Pará, propondo uma narrativa visual que investiga modos de existência enraizados na relação entre sujeito, território e tempo. Em diálogo com o pensamento de Martin Heidegger, especialmente o ensaio "Construir, Habitar, Pensar", o trabalho desloca a fotografia do campo documental para um ensaio poético-filosófico sobre o habitar. As imagens articulam elementos como arquitetura vernácula, práticas cotidianas e manifestações de fé, evidenciando a coexistência entre Terra, Céu, Divinos e Mortais. Ao enfatizar gestos, espaços e presenças, a série propõe uma reflexão sobre formas de vida que resistem à aceleração contemporânea, operando como campo de investigação estética e conceitual sobre o sentido de permanência e pertencimento.

Gatinho Manhoso

AUTOR

Everton Costa dos Santos

APRESENTAÇÃO DA OBRA

O quarto é um local sagrado. O cômodo guarda todos os desejos, sonhos e fantasias que nossa imaginação consegue pensar. É no quarto que nossos fragmentos se conectam e a nossa intimidade vem à tona. Afinal, essa intimidade, solitária ou coletiva, faz morada no próprio quarto, nas fronhas e nos pensamentos noturnos.

Guarany de Sobral y Sobral

AUTOR

José Gerardo da Silva Filho

APRESENTAÇÃO DA OBRA

As fotografias, produzida no âmbito da disciplina de Sociologia Urbana do Curso de Ciências Sociais – UVA, ministrada pela Profa. Lara Denise, analisa a urbe enquanto espaço socialmente produzido. A exposição investiga a cidade como organismo vivo, estruturado por fluxos de afetividade e sistemas simbólicos de pertencimento. O eixo central é o Guarany Sporting Club, compreendido como nexo da memória coletiva e catalisador da identidade sobralense. As imagens exploram a apropriação do Estádio do Junco e o urbano, revelando como o clube opera uma ressignificação das espacialidades. Conforme discute a Profa. Diocleide Lima Ferreira, a cultura urbana se reinventa através das transformações e ocupações do espaço vivido. Aqui, o Guarany é o dispositivo que converte o traçado geográfico em experiência coletiva, marcada por resistência e identidade popular. A fotografia aqui atua, como registro de uma cidade que se reconhece e se projeta em seus afetos.

Imagens do Fazer Artesanal: Processos de Uma Oficina de Criação Com Madeira Reaproveitada Entre os PALIKUR-ARUKWAYENE

AUTOR

Sérgio Gabriel Baena Chêne, Keila Felício Iaparrá, e Marilia d’Ottaviano Giesbrecht

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Este trabalho propõe uma reflexão etnográfica visual a partir da Oficina de Criação com Madeira (Re)Aproveitada, realizada na aldeia Kumenê, na Terra Indígena Uaçá (AP), no âmbito do projeto Energia Limpa, Vida Sustentável. A oficina articulou acesso à energia elétrica, capacitação técnica e fortalecimento da produção artesanal, com foco na produção de biojoias por mulheres e jovens Palikur-Arukwayene. As atividades envolveram o uso de ferramentas elétricas e manuais para reaproveitamento de madeiras residuais, por meio de técnicas como corte, lixamento e marchetaria, organizadas de forma flexível e coletiva, em diálogo com os modos locais de aprendizagem. A participação dos mestres artesãos Arukwayene contribuiu com conhecimentos sobre o trabalho em madeira e entalhe. Em diálogo com a antropologia (audio)visual, o trabalho compreende as imagens produzidas em campo como formas de evidenciar gestos técnicos, relações corporais e temporalidades do fazer artesanal. Apesar das instabilidades no fornecimento de energia elétrica, a oficina resultou na criação de biojoias que articulam grafismos tradicionais e criação artística indígena contemporânea.

Inatural

AUTOR

Levi Ripardo Rodrigues

APRESENTAÇÃO DA OBRA

O intuito da obra é relacionar a natureza com a criação humana, o natural e o urbano. A dualidade, desde a natureza propriamente dita, até as pessoas vivendo em meio a natureza na serra e a última foto em um ambiente claramente urbano. E o equilíbrio observado na construção na praia do Paracuru por exemplo, da utilização do próprio ambiente para o proveito humano sem interferências graves no meio ambiente.

Jesus, Maria e José - O Terreiro do Rei dos Índios

AUTOR

Jean Souza dos Anjos

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Ensaio fotográfico produzido na festa do Rei dos Índios do Centro Espírita de Umbanda Jesus Maria e José, no bairro São João do Tauape, em Fortaleza, Ceará, no dia 20 de janeiro de 2026. O C.E.U Jesus Maria e José foi fundado em 15 de novembro de 1956 por Balbina Freitas de Lima, a Mãe Balbina do Caboclo Rei dos Índios (em memória) e é zelado, atualmente, por Maria Gardênia Freitas de Lima, a Mãe Gardênia d'Iansã. Sendo um dos terreiros mais antigos de Fortaleza, fará 70 anos em 2026. Desde a sua fundação, o terreiro tradicional de caboclo é reconhecido pela atuação de Mãe Balbina e de Mãe Gardênia na prática da cura por saberes e fazeres tradicionais da medicina de terreiro. Chama atenção o nome do terreiro "Jesus Maria e José" sendo que Mãe Balbina, falecida em 2021, sempre dizia "esse terreiro é do Rei dos Índios". A pesquisa etnográfica revela que a sacerdotisa usou de sua sabedoria para "driblar" a repressão que os terreiros sofriam. Ao fundar a casa de caboclo ela usa a expressão cristã católica "Jesus Maria e José" confundindo o Estado que, com suas polícias, destruíam terreiros e prendiam os praticantes de culturas afro-indígenas.

Macujé

AUTOR

Pedro Henrique Gomes da Paz

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Este ensaio visual, "Macujé", integra pesquisa de Pedro Paz (UFPB) sobre a agência da saudade na vida de duas adolescentes que perderam a mãe na sindemia da covid-19 em Pernambuco. As 10 imagens foram produzidas em julho de 2025, no Engenho Macujé (Jaboatão dos Guararapes/PE), durante trabalho de campo com a família de uma das adolescentes que, após a perda da mãe, migrou de Araripina (Sertão) para a Grande Recife. O engenho, de 1759, guarda ruínas coloniais. A visita partiu do bairro Vila Rica. No trajeto, canaviais, fruteiras, moradias de taipa e homens a cavalo. No local, colheram batatarana, mandioca e pescaram tilápia. Diferente de contextos de despossessão (Veena Das) ou não-pertencimento (Bela Feldman-Bianco), em Macujé, a garota e seu pai se apropriam das ecologias locais para atenuar a saudade, reativar memórias da mãe e do Sertão e construir pertencimento no urbano.

Nas Tramas do Porto-Paredão

AUTOR

Daniel Soglia

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A pesquisa investiga o Porto-Paredão, uma temporalidade específica de lazer e trabalho na praia do Porto da Barra, em Salvador. Frequentado majoritariamente por grupos oriundos das periferias, o Porto-Paredão emerge nos fins de semana como uma forma singular de ocupar e reinventar o espaço público, tensionando normas de uso, moralidades urbanas e fronteiras sociais. A etnografia acompanha os modos de "fazer praia" por meio das interações entre diferentes atores — banhistas, trabalhadores, vendedores ambulantes, barracas, sonoridades, artefatos e imagens — evidenciando a justaposição entre lazer e trabalho. A fotografia é mobilizada como parte do próprio fazer etnográfico, não apenas como registro, mas como mediação sensível dos encontros, performances e territorialidades que compõem o Porto-Paredão. As imagens revelam processos de composição do espaço e formas de reivindicação simbólica e material da praia.

O Ceará afroindígena na perspectiva das mulheres

AUTOR

Bruna Dayane Xavier de Araújo

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A presente narrativa fotográfica composta por oito fotografias foram realizadas no Território Quilombola do Cumbe-Aracati, Território Quilombola Batoque-Pacujá, no Território indígena Tremembé da Barra do Mundaú-Itapipoca e Território indígena Tremembé Queimadas-Acaraú, todos no estado do Ceará. As mulheres estão à frente das lideranças nestes territórios ancestrais. Elas vem desempenhando um papel político relevante na defesa de suas territorialidades e modo de vida. Transformando estes territórios em os "espaços de esperanças" edificados a partir da força coletiva e de suas incoloniabilidades.

O Esconderijo na Praça do Ferreira - olho de Fortaleza

AUTOR

Raniery Fontenele Firmino

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A narrativa destas fotos surgiu como resultado da minha monografia, intitulada a Praça do Ferreira, Além do Esconderijo: Patrimônio de Pedra e (E)ventos. Uma Análise Social das Práticas do Cotidiano para conclusão de curso, bacharelado, em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) em 2004. Seu projeto de pesquisa inicialmente: A Praça do Ferreira como Patrimônio Cultural, Fortaleza – CE. Uma Indicação de Análise, que foi financiado parcialmente pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP), no período entre 2002 a 2003. Teve como técnica-metodológica: a etnografia e a entrevista com Cícero Bento de Morais: o "administrador" da Praça do Ferreira. Ele nasceu na cidade de Senador Pompeu-CE, veio para Fortaleza em 1945 e trabalhou na Farmácia Pasteur em 1948, da farmácia foi servir o exército. E do exército foi trabalhar na RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A). Aposentou-se. E então, arranjou o trabalho como encarregado na praça.

O Pós-Tormenta da Princesa Cigana Terena

AUTOR

Tassi Viebrantz

APRESENTAÇÃO DA OBRA

O presente ensaio fotográfico apresenta uma perspectiva pós-tormenta de uma das figuras mais famosas da cidade de Pelotas (RS): A Princesa Cigana Terena. Terena e seu grupo de ciganos chegaram na cidade em dezembro de 1887. Ela faleceu em março de 1888 e diz a lenda que, em seu leito de morte, após lhe ter sido negada socorro quando caiu enferma, ela teria amaldiçoado a cidade para "nunca mais prosperar". Quase 140 anos depois, Terena jamais nega ajuda para quem a procura. Seu túmulo, localizado na maior necrópole da cidade, mantém a parte antiga do cemitério viva através da movimentação de centenas de visitantes por ano, com dezenas de placas de agradecimento "por graça alcançada". No dia 22 de fevereiro de 2026, em uma tarde ventosa, o túmulo de Terena visita seus vizinhos, transbordando de seu espaço e alcançando não só os vivos, mas os mortos que a cercam com o material e o invisível em uma troca constante entre os dois mundos: das bençãos e maldições; dos vivos e mortos.

Reggae no Cristo Vai à Academia: A Fotografia Como Ponte

AUTOR

Leon Vieira Montenegro, Wender Alburqueque Junior, e Marcelle Carvalho Braga

APRESENTAÇÃO DA OBRA

O projeto “Reggae no Cristo à academia: A fotografia como ponte” propõe a construção de uma narrativa visual sobre um dos mais significativos espaços de sociabilidade juvenil da cidade de Sobral. A fotografia segue como linguagem central, buscando registrar e interpretar as dinâmicas culturais que atravessam o evento nominado como Reggae no Cristo, onde evidência práticas de convivência, formas de expressão estética, cultural e processos de construção identitária. Dentro do contexto urbano marcado por desigualdades, o Reggae no Cristo se configura como um território simbólico de encontro, no qual a música do reggae, historicamente associada a experiências da diáspora africana, atua como uma mediadora de vínculos sociais, pertencimento a resistências culturais, pertencimentos e resistências culturais. Nesse espaço, os corpos, gestos, sonoridades e visualidades se articulam como modos de existência que tensionam a invisibilidade e afirmam a presença desses jovens. Tendo perspectiva teórica inspirada em compreender a cultura como campo de disputa e produção de sentidos como Stuart Hall e Beatriz Nascimento, bem como abordagens que destacam a centralidade das experiências negras e periféricas, como as de Patricia Hill Collins e Bell hooks, o projeto articula fotografia, escuta e curadoria para construir um registro sensível e crítico dessas vivências. O resultado propõe a realização da exposição fotográfica em formato físico junto a Mostra XIV Visualidades. Essa iniciativa busca não apenas documentar, mas também valorizar e ampliar a visibilidade de práticas culturais frequentemente marginalizadas, fortalecendo o diálogo entre universidade e comunidade e contribuindo para a reflexão sobre cultura, identidade e resistência cultural.

O sustento vem da Fé

AUTOR

Vilma Blondet de Azeredo

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A romaria ao Horto do Padre Cícero é um retrato vivo de fé e resistência cultural no sertão nordestino. Movidos por promessas, gratidão e devoção profunda, entre passos cansados e olhares esperançosos, a paisagem árida se transforma em cenário de espiritualidade coletiva, onde cada gesto revela uma conexão íntima entre o sagrado e o cotidiano.

Periferia em Cores: Museu a Céu Aberto

AUTOR

Vicente de Paulo Sousa

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A exposição "Periferia em Cores: Museu a Céu Aberto" é uma inserção etnográfica no bairro Terrenos Novos, em Sobral/CE. Resulta da iniciativa de um artista do graffiti, o Bicos, que junto com outros jovens daquele território, por aprovação num edital de incentivo a cultura, resolveram contar em imagens grafitadas nos muros, o que consideram como memória e patrimônio para eles naquela periferia da cidade. Numa investigação com outros moradores, ouviram das pessoas, histórias e lembranças que tecem o fio narrativo historiográfico sobre personalidades, eventos culturais, objetos da geografia, fauna e flora dos Terrenos Novos, e assim elegeram alguns desses elementos para registrar nas paredes, resultando em dez painéis distribuídos em pontos diversos do bairro. Assim foram retratados a rádio FM que por muito tempo comunicou nos lares, o Mestre Panteca e o Boi Ideal, a Encenação da Paixão de Cristo, que reúne pessoas num mesmo propósito, as Mulheres que trabalham artesanalmente com a palha, os pássaros da fauna nos arredores do Açude Mucambinho, o Sanfoneiro Cego Antônio Teixeira, as Benzedeiras, que atendem pessoas enfermas, o Açude Mucambinho e o Alto do Morro, lugar onde as crianças soltam pipas.

Relicário

AUTOR

Ana Flor

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A série fotográfica Relicário articula, a partir da fotografia, arquivo vernacular, matéria orgânica e objetos cotidianos para construir uma narrativa sobre memória, origem e (im)permanência. As imagens operam como relicários visuais em que cada fotografia de infância deixa de existir apenas como documento para ocupar um território simbólico. Os retratos da infância aparecem inseridos em processos de transformação material. Em vez de preservadas de maneira estável, as fotografias são cobertas, transferidas, (des)enterradas ou incorporadas a superfícies frágeis. Esse gesto sugere uma memória viva, sujeita à metamorfose do tempo. O ovo, associado à gestação e ao nascimento, funciona simultaneamente como corpo-recipiente, arquivo vivo e suporte. Relicário descortina uma tensão entre o desaparecimento e a preservação. A narrativa constrói uma poética da incubação da memória: lembranças não permanecem intactas, mas seguem germinando na matéria, no corpo e nas relações afetivas.

Sagrados

AUTOR

Francisco Antônio de Souza Castro

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Essa exposição, marcada notadamente por obras pintadas a guache sobre papel e obras em pranchas de MDF, nos colocam numa ENCRUZILHADA: precisamos OBSERVAR outros caminhos para o entendimento dos ritos e espaços sagrados na história de Sobral. Porque durante muito tempo, tempo relativo as narrativas oficiais da história da cidade, o caminho traçado foi uma reta. Uma reta que partia da Igreja Católica e chegava nela mesma. Por isso é imperativo que ENTRECRUZEMOS outras Histórias, outras Memórias, outros Corpos que se relacionem diretamente com as COMUNIDADES TRADICIONAIS DE MATRIZ AFRO-INDÍGENAS EM SOBRAL, fazendo da reta uma ESPIRAL. É sobre essa mundividência que precisamos falar e é isso que COMUNICA essa exposição. São corpos em dimensões cosmo-ecológicas, memórias, rostos e símbolos que se ENTRECRUZAM criando pontos de intersecção entre diferentes narrativas, em que o passado, o presente e o futuro se conectam entre dois, três, quatro ou mais caminhos.

São Benedito: um santo afro-amazônico no nordeste paraense

AUTOR

Sônia Cristina de Albuquerque
Vieira, Luiz Fernando de Assunção
Corrêa, Viviane Odine de Sousa
Conceição, e Myllena Costa Portal

APRESENTAÇÃO DA OBRA

As fotografias dispostas estão vinculadas ao Grupo de Pesquisa "Nos Percursos do Beneditismo: Pesquisas e Devoções a São Benedito de Palermo" (CNPq), portanto, a exposição das imagens compõem um escopo fotoetnográfico assentado no campo da Antropologia Visual. Através delas, apresenta-se um circuito de pesquisa das devoções a São Benedito, homenageado em três municípios na Amazônia Paraense: Bragança, Primavera e Santarém Novo. As três cidades, localizadas no nordeste do estado, elaboram um extenso calendário festivo em honra ao santo negro no mês de dezembro initerruptamente todos os anos, onde comidas, bebidas, danças, vestimentas, instrumentos musicais, repertórios educacionais, culturais e sociais são centralidades marcantes de compreensão destas manifestações populares. Longe dos holofotes da capital belenense, essas cidades estão num contexto interiorano que aqui aborda-se como a força de uma Amazônia Negra.

Sob a Luz da Carnaúba

AUTOR

Antônio Aragão Vasconcelos Filho

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Sob a luz incandescente do sol cearense, emerge a vontade de sobreviver, a necessidade de lembrar e a compreensão profunda do existir. Esta exposição nasce do desejo de registrar e preservar as histórias que orbitam a carnaúba — árvore símbolo de resistência e trabalho no sertão.

Trilhos de Ferro - Memórias de Ar: O Eco dos Invisíveis

AUTOR

Isadora de León Torres Zaltron

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Este trabalho investiga o apagamento da memória ferroviária em Pelotas frente ao abandono da Estação de 1881. Inserido no macroprojeto AEMIA, o estudo propõe um Memorial Multissensorial que utiliza Inteligência Artificial e tecnologias assistivas para transformar registros do descaso em experiências de resgate histórico. A pesquisa foca na "agência do mato" e no silenciamento dos trabalhadores, utilizando a fotografia de campo como base para dispositivos de acessibilidade. O objetivo é confrontar o paradoxo entre investimentos bilionários e a ruína patrimonial, devolvendo o protagonismo aos ferroviários e garantindo o direito à memória por meio da inovação tecnopoética. A Estação Férrea de Pelotas, construída em 1881 e inaugurada em 1884, é patrimônio histórico, tombado pelo município em 1991, pelo estado do Rio Grande do Sul em 2005 e em 2011 pelo IPHAN.

Desenhos

ELES SEMPRE SOUBERAM

AUTOR

Luiz Victor Coelho Albuquerque

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Dois meninos lado a lado — um com o rosto coberto por fragmento de texto bíblico, o outro com a cabeça substituída por uma flor aquarelada em plena floração. A justaposição é precisa: de um lado, o discurso religioso que historicamente nomeia, julga e apaga; do outro, a vida que insiste em brotar em sua própria forma. A obra investiga o olhar da família e da comunidade sobre a sexualidade dissidente desde a infância — esse saber coletivo não dito, carregado de ambiguidade entre o afeto e o controle. "Eles sempre souberam" enuncia a cumplicidade silenciosa do entorno, transformando a memória íntima em crítica às estruturas de poder que nos formam.

Linhas Brincantes

AUTOR

Ana Paula Lopes Carvalho

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Dentro de um contexto de gerações, é possível resgatar momentos compartilhados, uma experiência coletiva apresentada por uma brincadeira: o Boi e o Reisado, que estimulam dinâmicas lúdicas, saberes, celebrações, expressões teatrais, musicalidade em locais urbanos. Um grupo brincante traz possibilidades de acesso a disciplina e entretenimento. Observando a hierarquia de um grupo de boi, é possível sentir cada elemento que compõe o movimento agregador, passando na rua do bairro, fazendo reisado e trazendo os espectadores junto com os protagonistas do espetáculo. Partindo do ponto de vista de admiração, estar frente a uma tradição regional, que permanece viva na memória e no calendário da população, ocasiona uma ação direta no espaço ocupado, demarcando uma identidade a esse bem cultural. Em linhas brincantes há essa exaltação da experiência coletiva, as técnicas empíricas estão incorporadas nos desenhos assim como na apresentação do boi. As composições visuais possibilitam a sensação de estar no meio da dança aspirando despertar o incentivo para manter e propagar esses movimentos de experiências coletivas tradicionais. A existência e perseverança de Bens culturais nas comunidades precisam ser exploradas de diversas perspectivas para termos noção da relevância desses patrimônios imateriais. Através de uma brincadeira, comunidades são expostas à diferentes linguagens artísticas. O reisado e a brincadeira do boi atuam de maneira integrante e integradora, sendo essa prática uma expressão do pertencimento social e cultural em espaços urbanos.

NUNCA FOI SEGREDO

AUTOR

Luiz Victor Coelho Albuquerque

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Esta obra parte do arquivo familiar para interrogar a ideia de segredo como violência simbólica. Fotografias da infância são atravessadas por recortes de texto que cobrem os rostos, apagando identidades e, ao mesmo tempo, revelando o que sempre esteve presente — a diferença, o desejo, a dissidência. A flor de aquarela que emerge ao lado dos corpos infantis funciona como uma natureza que resiste e floresce fora do lugar esperado, subvertendo a norma. A frase manuscrita "Nunca foi segredo" ressignifica a narrativa do armário: não como confissão, mas como afirmação de que a existência dissidente sempre foi visível, ainda que silenciada. A obra propõe uma memória queer da infância como ato político.

Olhares

AUTOR

Izabel Jeane Vieira Veiga

APRESENTAÇÃO DA OBRA

"Olhares", de Izabel Veiga, é composta por um desenho realista do busto de Frida Kahlo, feito com lápis de cor. Esta obra foi idealizada como uma forma de homenagear a artista mexicana, que tinha uma paixão especial por pintar autorretratos. Frida dizia que pintava a si mesma pois ela era o assunto que melhor conhecia. Este retrato mostra simultaneamente dois olhares: o da própria Frida para a "câmera" e para quem a observa, e o meu olhar sobre a artista. Que a arte continue a nos apontar respostas e esperança.

Artes Plásticas

A Última Luz

AUTOR

Nicole Carneiro

APRESENTAÇÃO DA OBRA

O farol atua como uma âncora visual e simbólica. No breu absoluto, ele é o ponto de contato entre a segurança da terra firme e o perigo do desconhecido. A obra propõe que, mesmo em isolamento, a emissão de luz é um ato de coragem e guia para os outros.

Acardumado: catalogação visual da fauna marinha em gravura policromática

AUTOR

Uilo Azevedo de Andrade

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A série Acardumado propõe uma investigação artística sobre a fauna marinha do litoral leste potiguar por meio da xilogravura policromática. Partindo da observação direta em campo e da cuidadosa seleção de espécies, o trabalho desenvolve um processo sistemático de catalogação visual, no qual cada peixe é reinterpretado pela matriz de madeira e borracha. Explorando síntese formal, textura e camadas de cor, a série tensiona os limites entre a precisão da representação científica e a sensibilidade da linguagem artística. Ao transitar entre registro e criação, Acardumado constrói um arquivo visual poético da vida marinha costeira, funcionando simultaneamente como documento estético e instrumento de sensibilização e valorização da biodiversidade marinha.

Akarás

AUTOR

Tiago Marques

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Akarás traz referências de diversos aspectos da vida e influências enquanto artista e pessoa. A vivência com o Rio Acaraú, pela trajetória de estar sempre próximo, como nascido e habitante de Sobral e depois o município de Acaraú, onde o rio desemboca ao mar. Pelo apreço às aves, seus corpos e formas captados na fotografia, que fora sempre meio principal de investigação e retratação do mundo e ao processo artístico de rever suportes, reimaginar as formas e trazer para um contexto mais instalativo o processo de produção que tenho feito ao longo dos anos. As garças, que dão nome ao rio, que é de origem tupi-guarani que significa "rio das garças" (akara = garça + hu = água/rio). Assim, a obra Akarás, faz referência a ave-símbolo do lugar, o qual na imagem da garça construída a partir do corte do metal e da dobradura mescla técnica escultórica e manejo do material produzindo elementos que se dispõem na forma de instalação, reproduzindo o voo dos pássaros.

Linha curva fechada

AUTOR

Mozileide Neri

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A proposta apresenta 26 esculturas multissensoriais, em pequena escala, que sugerem releituras e novas percepções acerca da origem da forma. Os interesses da arte neoconcreta em tentar superar as relações mecânicas e atingir um fluxo sensorial, que antecede a criação artística, justificam a pesquisa da artista visual Mozileide Neri. A materialidade das obras deixa de ser apenas conceito e se revelam dentro de uma experiência afetiva, convidando o observador a percorrer o campo da criação, compartilhando suas percepções e leituras sobre cada objeto escultórico. Se uma linha curva fechada é uma trajetória contínua que não possui extremidades, ou seja, onde ela começa é o mesmo lugar onde termina, os objetos escultóricos delimitam uma área de reconhecimento e estranheza. É a partir do conceito de linha curva fechada, do processo e técnica de modelagem, que se materializa o transitório, os espaços de deslocamentos e compartilhamentos de ideias sobre movimento, transformação e continuidade. A circularidade dos objetos tensiona para alusão à ciclos e transformações, à territorialidade, à ativação da memória por meio da materialidade de cada objeto escultórico. São outros modos de ver, contemplar, sentir, tocar e reimaginar, tornando a memória viva e aberta às diversas percepções.

O Nordeste veio do barro

AUTOR

Antonio Carlos de Araújo Lima

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Essa coleção de dioramas representa um modo de relação com o ambiente que não separa natureza e cultura. Ao recriar essas casas em forma de dioramas, eu não apenas represento uma arquitetura vernacular, mas escrevo no presente uma forma de habitar o mundo que resiste à "padronização" e ao apagamento cultural.

Exposição: Por trás da Porta

AUTOR

Levi do Nascimento Sousa

APRESENTAÇÃO DA OBRA

A exposição visual aborda a temática da hanseníase, com enfoque central na desconstrução do estigma social, na quebra de preconceitos históricos e na reflexão sobre o impacto biopsicossocial da doença.

VISÕES: SERÁ QUE TEREMOS UM FUTURO?

AUTOR

Narcelio Alcântara

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Na exposição "visões, será que teremos um futuro?" tenta mostrar através de uma brincadeira visual com o uso de elementos cotidianos que podem ser colhidos na natureza ou no que muitos enxergam como lixo. Inspirado na temática mudanças climáticas e uma pergunta que segue martelando a mente do artista "SERÁ QUE TEREMOS UM FUTURO?" Através desse questionamento ganharam forma quatro obras feitas através da técnica artística assemblage, uma técnica que utiliza a montagem e colagem de objetos de diversos materiais para formar algo novo. Assim dando uma nova vida àqueles itens que seriam descartados como lixo ou simplesmente seriam engolidos pela fera do esquecimento.

REALIZAÇÃO

logo do governo do estado do ceará
logo do leppais
logo da universidade estadual vale do acaraú
logo do pibid
logo do laboratório das memórias e das práticas cotidianas
logo do nupes
logo do legec
logo do profsocio
logo do propgeo

AP0IO

logo do prefeitura
logo do antropoetica
logo do cav aba
logo do fav
logo do funcap
logo do marca pacc
logo do cnpq

COMISSÃO ORGANIZADORA

  • Prof. Dr. Nilson Almino de Freitas (UVA) - Proponente

  • Prof.ª Dr.ª Telma Bessa Sales (UVA)

  • Prof.ª Dr.ª Ilana Strozemberg (UFRJ)

  • Prof. M.Sc. Philipi Emmanuel Lustosa Bandeira (UFPE);

  • Prof. Dr. Agenor Soares Júnior (UVA)

  • Prof. Dr. Otávio José Lemos Costa (UECE)

  • Prof. Dr. Vinícius Limaverde Forte (UVA)

  • Profª. Drª. Renata Schlumberger Schevisbiski (UEL)

  • Prof. Dr. Allan Rodrigo Arantes Monteiro (FUNDAJ) 

  • Profª. Drª. Daniele Borges Bezerra (UFPel)

  • Profª. Drª. Lara Denise Oliveira Silva (UVA)

  • Prof. Dr. Roberto Alves de Arruda (UNEMAT)

  • Prof. Dr. Alexandro Dantas Trindade (UFPR)

COMISSÃO CIENTÍFICA

  • Prof.ª Dr.ª Alice Fátima Martins (UFG)

  • Prof.ª Dr.ª Cláudia Turra Magni (UFPEl)

  • Prof. Dr. Francisco Gleidson Vieira dos Santos (UVA)

  • Prof.ª Dr.ª Clarice Peixoto (UERJ)

  • Prof. Dr. Alexandre Fleming Câmara Vale (UFC)

  • Prof. Dr. Luiz Antônio Araújo Gonçalves (UVA).

  • Prof. Dr. Antonio George Lopes Paulino (UFC)

  • Prof. Ms. Antonio Jeferson Lins de Freitas (UECE)

  • Prof. Dr. Thiago Silva de Castro (PDCTR/FUNCAP/CNPQ – UVA)

  • Prof. Ms. Vicente de Paulo Sousa (UFRN)

  • Profa. Dra. Virgínia Célia Cavalcante Holanda (UVA)

CURADORIA DE ARTES VISUAIS

  • Prof. Francisco Antônio de Souza Castro (UVA)

  • Prof. Dr. Francisco Dênis Melo (UVA)

  • Everton Costa dos Santos

CURADORIA DE FILMES

  • Prof. Dr. Francisco Gleidson Vieira (UVA)

  • Prof. Dr. Thiago Silva de Castro (Bolsista PDCTR/FUNCAP/CNPq - UVA)

  • Prof. Ms. Vicente de Paulo Sousa (PPGAS/UFRN)

  • Prof. Dr. Vinícius Limaverde Forte (UVA)

SECRETÁRIA EXECUTIVA

  • Wellingta Maria Vasconcelos Frota

COMISSÃO DE APOIO

  • Ana Vitória de Sousa França

  • Antonio Junior Procopio Braz

  • Benedito de Paula Magalhães

  • Cintia Maria Ferreira do Nascimento

  • Henrique Brito Rodrigues

  • Jayanara Oliveira Fernandes

  • Maria Gabriele Silva Araújo

  • Yago Elias Alves Silva

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